ONU-HABITAT

Florianópolis: a única voz da América do Sul entre as cidades Lixo Zero da ONU

No último dia 30 de março, data em que o mundo celebra o Dia Internacional do Lixo Zero, Florianópolis alcançou um marco histórico: foi nomeada uma das primeiras "20 Cidades Rumo ao Resíduo Zero" do planeta.
07 de maio 2026 | Atualizado em 12 de maio 2026

Em 2018, Florianópolis se tornou a primeira cidade brasileira a formalizar, por decreto, o compromisso de alcançar a meta Lixo Zero até 2030 Foto: Allan Carvalho/PMF

No último dia 30 de março, data em que o mundo celebra o Dia Internacional do Lixo Zero, Florianópolis alcançou um marco histórico: foi nomeada uma das primeiras "20 Cidades Rumo ao Resíduo Zero" do planeta.

A escolha, realizada por agências do órgão internacional e pelo Conselho Consultivo do secretário-geral sobre o tema, coloca a capital catarinense como a única representante da América do Sul a figurar nesta seleta lista global de excelência ambiental.

O reconhecimento teve o apoio direto do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do Programa das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Para se enquadrar na lista, Florianópolis teve de demonstrar abordagens ambiciosas e inovadoras na redução do lixo urbano, bem como avançar em soluções reais de economia circular e na construção de sistemas urbanos mais sustentáveis, resilientes e inclusivos.

O diferencial da capital catarinense está na combinação entre ambição e execução, conectando legislação, operação e tecnologia em um sistema de governança que transforma o conceito de "Lixo Zero" em rotina de gestão. Para José Manuel Moller, vice-presidente do conselho consultivo da ONU, o que diferencia as cidades selecionadas é a capacidade de transformar planos em prática: “Essas 20 cidades importam não porque têm os melhores planos no papel, mas porque estão transformando ambição em ação”, afirmou.

Um ponto central dessa estratégia é a inclusão social. Florianópolis incorporou cooperativas e associações de catadores ao sistema formal de coleta seletiva, gerando renda e reconhecimento para cerca de 240 famílias. Esse arranjo injeta aproximadamente R$ 4,5 milhões por ano na economia local, provando que uma estratégia sustentável deve ser, acima de tudo, socialmente justa.

A cidade Lixo Zero começa dentro de cada unidade

Para o universo condominial, o exemplo da capital reforça a importância da segregação correta na fonte. Afinal, a cidade Lixo Zero começa dentro de cada unidade, na separação correta feita pelo morador e na gestão técnica e resiliente conduzida pelo síndico. O título da ONU é um selo de confiança para gestores e síndicos, provando que a gestão de resíduos, quando tratada como prioridade técnica e social, gera economia de recursos, reduz emissões e valoriza o patrimônio urbano. Florianópolis prova que o futuro sustentável não está apenas no papel, mas na prática diária de cada cidadão.

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