REGULARIDADE

O Regimento Interno do Condomínio: quando o problema está dentro da casa

Todo condomínio, seja residencial ou comercial, funciona como uma pequena comunidade, com regras próprias de convivência. Essas regras, idealmente, devem estar expressas de forma clara, objetiva e legalmente válida em...
12 de fevereiro 2026 | Atualizado em 25 de fevereiro 2026

Foto: Freepik

Todo condomínio, seja residencial ou comercial, funciona como uma pequena comunidade, com regras próprias de convivência. Essas regras, idealmente, devem estar expressas de forma clara, objetiva e legalmente válida em um documento essencial: o Regimento Interno.

No entanto, o que temos visto na prática é que muitos condomínios convivem com Regimentos Internos falhos, ultrapassados ou até mesmo ilegais. Isso compromete profundamente a gestão condominial, gera insegurança jurídica, pode trazer consequências financeiras graves e abala a credibilidade da administração perante os condôminos.

O Regimento Interno deve complementar a Convenção Condominial, disciplinando principalmente os aspectos do uso das áreas comuns, regras de convivência, barulho, animais, uso de vagas de garagem, entre outros.

Em muitos casos, porém, o Regimento:

• está desatualizado em relação à legislação vigente;
• contém dispositivos ilegais (ex.: multas abusivas, restrições discriminatórias, regras que ferem direitos fundamentais);
• apresenta omissões relevantes ou linguagem ambígua, dando margem a diferentes interpretações.

Um Regimento mal elaborado é terreno fértil para conflitos entre moradores, ações judiciais e anulação de penalidades aplicadas pela gestão, o que, além de gerar despesas com honorários advocatícios, ainda expõe a fragilidade da administração.

Além disso, decisões da assembleia com base em cláusulas inválidas podem ser judicialmente anuladas, comprometendo a governança interna e criando um cenário de total insegurança jurídica.

Quando a gestão condominial é baseada em normas frágeis ou questionáveis, o condomínio perde autoridade na aplicação das regras, o que leva à inadimplência, à indisciplina e a conflitos constantes. Isso aumenta os custos com manutenção, jurídicos e administrativos, comprometendo o orçamento. E, ainda, a má reputação da gestão pode impactar diretamente o valor dos imóveis no condomínio.

A solução é revisar o Regimento Interno com apoio jurídico especializado, garantindo que ele:

• esteja atualizado conforme a legislação vigente;
• não contenha dispositivos ilegais ou inconstitucionais;
• seja escrito com linguagem clara, objetiva e de fácil interpretação por todos os condôminos;
• atenda às particularidades do condomínio, respeitando o princípio da razoabilidade e do interesse coletivo.

Um Regimento Interno eficiente não é apenas um documento burocrático: é um instrumento estratégico de gestão e convivência. Administrar um condomínio com base em normas frágeis é como navegar sem bússola: o risco de naufrágio é alto. Portanto, valorize a regularidade jurídica dos documentos internos do seu condomínio. Essa é a base para uma gestão legítima, transparente e eficiente.

FERNANDA MACHADO PFEILSTICKER SILVA OAB/SC 029431

 

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